Capítulo 25 – Quem está fazendo o julgamento?

Tradução: Deise Viegas – março/2009
Website: www.menteilimitada.com
Original:
http://www.emofree.com/palace/palaceof10.htm

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Olá a todos,

Eu adoro o espírito desta lista.

Recentemente fui provocado com mensagens indiretas a respeito de minha “posição” sobre as “mensagens sexuais” contidas em minha história sobre a Vovó Effie e o Tio Charlie (Palácio #23). Isto é particularmente interessante porque as “mensagens sexuais” foram totalmente sem intenção e foram, para mim, uma parte muito pequena daquele artigo. Apesar de tudo, alguns se alvoroçaram muito como se fosse uma grande coisa. Enquanto muitos Membros apreciaram os pontos principais apresentados (obrigado, obrigado), outros contestaram meus modos. Eu amo desafios. Assim é como aprendemos. Nos fazem pensar. Aqui está um dos desafios. Foi escrito por “Millie”.

“Caro Gar, Me desculpe por discordar, mas eu acho que a Vovó Effie era encantadora e tinha um propósito. O Tio Charlie soa como um estereótipo narcisista; superficial e momentâneo. Depois de viver por um tempo como as mulheres que você descreveu, eu voltei para os modos da Vovó Effie. E o sexo novamente se tornou um momento especial, senão sagrado, entre 2 pessoas comprometidas. Ela tinha um propósito e você é sortudo por tê-la ouvido”.

Com um obrigado à Mille e todos os outros que responderam à Millie, desejo explorar este desafio e revelar que ele encerra uma das minhas maiores lições pessoais relativas ao Palácio das Possibilidades. De maneira interessante, esta lição não tem nada a ver com sexo.

Por favor, lembrem-se que um dos temas constantes no Palácio é que nós estamos constantemente consultando as escritas em nossas paredes. Esta escrita é nossa versão da “verdade” sobre como este mundo funciona. É o filtro através do qual avaliamos tudo o que vemos, ouvimos, sentimos, etc. Isto vale para o que lemos também.

Já que duas pessoas nunca tem escritas idênticas em suas paredes não é de se estranhar tantas diferenças de opiniões. É bem sabido, por exemplo, que duas pessoas testemunhando o mesmo acidente darão descrições substancialmente diferentes do que aconteceu mesmo que os fatos reais sejam idênticos para cada uma das pessoas.

Eu costumava julgar outras pessoas que tinham opiniões e comportamentos diferentes de mim. Ainda faço isto, mas estou ficando muito melhor em reconhecer que o que estou julgando não é a pessoa. Ao contrário, ESTOU JULGANDO AS ESCRITAS SOBRE SUAS PAREDES. Não é a pessoa de jeito nenhum. Mas sim, é o exclusivo conjunto de crenças que elas levam consigo, a maioria das quais poderia gerar um incrível roteiro para uma comédia da Broadway. Mais importante ainda, não sou nem mesmo eu quem está fazendo o julgamento. São os escritos em minhas paredes (outra comédia) é que estão julgando a comédia nas paredes da outra pessoa. Duas pessoas em desacordo parecem estar discordando uma com a outra. Nem tanto. O desacordo é um confronto entre as diferentes “questões” que cada um adquiriu ao longo dos anos e manteve como a “verdade”. Esta é a lição que eu mencionei anteriormente. Uma vez compreendida, é muito transformadora. Muito libertadora.

Para mim, esta revelação é simultaneamente simples e surpreendente. É simples porque é óbvia. Nós todos carregamos uma grande quantia de crenças que foram escritas em nossas paredes por nossos pais, professores, pares, líderes religiosos, TV, rádio, livros, etc. Estas crenças são importantes para nós porque as usamos para dar sentido ao nosso mundo. São os polegares que chupamos – nossas mantinhas – e freqüentemente as defendemos com vigor e ferocidade. Já lutamos guerras por elas. Isto é verdade mesmo que a maioria destas crenças não seja realmente nossa. Elas simplesmente foram escritas em nossas paredes por outros e nós as aceitamos. Nós estamos acenando suas bandeiras desde então.

 

A revelação é surpreendente porque nela está um grande passo para a liberdade emocional. O comportamento dos outros é diretamente influenciado pelas comédias escritas nas paredes deles e nossas reações a ele freqüentemente contém um reflexo de nossas próprias comédias. Quando nos damos conta disto, nossa carga emocional se torna mais leve e nós então podemos relaxar e suspirar humoradamente.

Levei muito tempo para chegar a este ponto e devo admitir que não estou totalmente aqui. Mas quando sou capaz de relaxar e apreciar a comédia (especialmente minha própria contribuição para ela), meu próprio sentido de paz espiritual é grandemente ampliado. Não é uma determinada pessoa que me tira do sério. É o que está escrito em suas paredes. É um alívio reconhecer que o único “desacordo” que temos é entre duas novelas fictícias que foram escritas por milhares de autores independentes, a maioria dos quais nem se conhecem e nenhum deles conhece todo o enredo. Admitem-se risadas, não julgamentos.

Agora de volta à Millie, Vovó Effie e Tio Charlie. A primeira vez que li as observações de Millie as escritos em minhas paredes diziam mais ou menos assim…

“Ora, vamos! Vá procurar o que fazer! A questão que eu estava tentando mostrar não tem nada a ver com a Vovó Effie ser encantadora ou o Tio Charlie ser superficial. Foi tudo sobre o papel que a REPETIÇÃO e a EMOÇÃO desempenham em estabelecer nossas crenças”.

Então, eu instantaneamente julguei Millie. Por um momento achei que era a infeliz, perdida e inadequada Millie que não podia ver o óbvio (a “verdade”, como descrito em minha história). Isto foram apenas os escritos em minhas paredes falando para mim, é claro. Era o bla, bla, bla do meu ego. A Vovó Effie estava em um extremo na atitude sexual e o Tio Charlie no outro. Mas ambos eram simplesmente atores secundários em uma história muito maior sobre como os outros colocam suas escritas em nossas paredes. Como, imaginei, poderia Millie ver de outra maneira? Além disso, não sei como Millie poderia declarar com tanta certeza que ela “voltou a agir da maneira da Vovó Effie” já que a vida sexual da Vovó Effie era inexistente. Também, a Vovó Effie não era encantadora. Ela era muito amarga, uma senhora mentalmente doente que achava que sexo era sujo. O Tio Charlie, por outro lado, era um dos homens mais amáveis e fáceis de levar que você teria gostado de conhecer.

No entanto, Millie vem de um lugar que é importante para ela, e totalmente inapropriado para mim, julgar sua resposta, sem mencionar que é inexato. Eu não sei o que foi escrito nas paredes sexuais dela. Não sei que tipos de experiências sexuais, educação ou traumas ela pode ter tido (ela também não conhece os meus, da Vovó Effie ou do Tio Charlie). Há muito o quê não sei e para nós dois formar qualquer tipo de julgamento correto é pura tolice. Não é apenas inaceitável espiritualmente, é simplesmente uma idéia impossível.

Assim, depois de meu julgamento inicial, soltei um suspiro bem-humorado (diretamente de minhas próprias respostas) e sentei novamente para escrever isto. Foi fácil fazer depois de reconhecer que a única coisa acontecendo na mensagem de Millie era que as escritas em suas paredes estavam julgando as escritas das minhas. Não foi pessoal. Somente pareceu assim. As escritas nas paredes dela não eram mais qualificadas para julgar as escritas nas minhas do que as escritas de minhas paredes qualificadas para julgar as dela. Está tudo bem nos alterarmos sobre este “desacordo” mas, se fazemos isto, a experiência é nossa e apenas nossa.

Sexo é uma questão emocionalmente carregada. É importante para nós e as pessoas conseguirem combinar esta experiência maravilhosa com tudo, desde a liberdade de prazer até culpa & vergonha. As Vovós Effies e os Tios Charlies do mundo representam os extremos. Ambas atitudes estão escritas nas paredes de quase todo mundo junto com todo o resto. A versão que nós dançamos é o resultado de nossas próprias experiências e “realidades”. Nenhuma versão está certa ou errada a menos que insistamos que seja assim. A Millie declara que sexo é “um momento especial, senão sagrado, entre 2 pessoas comprometidas”. Esta é a maneira que ela (e muitos outros) o vivem. Não é a maneira certa ou a maneira errada. É a maneira dela. Para outros, sexo é uma necessidade biológica de primeira classe e nada mais. Ambas posições, e todas intermediárias, são influenciadas pelas escritas nas paredes de alguém.

Nossos pensamentos consistentes se tornam nossa realidade.

Abraços, Gary

P.S. Há algumas verdades, é claro, que são tão universalmente óbvias que transcendem os escritos em nossas paredes. Aqueles que não amam Elvis, por exemplo, são realmente defeituosos 😉

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