Capítulo 33 – Preenchendo os espaços em branco

Tradução: Deise Viegas – agosto/2009
Website: www.menteilimitada.com
Original: http://www.emofree.com/palace/palaceof12.htm

IMPORTANTE: Você pode copiar, replicar, divulgar e imprimir o conteúdo desta página desde que os links, autores, tradutores, contatos, endereços e websites sejam mantidos.

Se desejar a versão em PDF para download (167 páginas, formato A4), você pode comprá-la clicando no link abaixo por apenas R$ 4,90, assim você mantém uma cópia desses artigos no seu computador para ler a hora que quiser.

Palácio das Possibilidades para download Ebook Palácio das Possibilidades em formato PDF para download

Olá pessoal,

Uma garrafa de coca-cola vazia foi a estrela de um filme vários anos atrás.

Se você viu “Os Deuses Devem Estar Loucos” então você já sabe as várias lições que ele nos trás. Nesse filme uma garrafa vazia de coca-cola foi atirada de um pequeno avião enquanto voava sobre uma terra tribal “não civilizada” e pouco povoada. Os nativos a encontraram e, não tendo nada escrito em suas paredes sobre garrafas de coca-cola, ficaram meio confusos sobre ela. Eles não sabiam o que fazer com este estranho objeto de forma esquisita com marcas brancas curvilíneas. De onde veio? Cresceu em uma árvore? Como poderia alguma coisa tão dura ser tão transparente?

Para dar significado a esta garrafa de coca-cola, os nativos tiveram que “preencher os espaços em branco” da melhor forma que eles puderam a partir das escritas em suas paredes. Os nativos inventaram todo tipo de significados para este “presente”, incluindo a suposição de que devia ser um presságio dos Deuses. Se tornou um bem super valorizado e várias facções da comunidade tribal brigaram por ele. Isto causou tanto stress e consternação que os nativos finalmente concluíram que os Deuses deviam estar loucos. Então eles a atiraram da borda do mundo (um precipício alto) num esforço de devolvê-la aos Deuses.

Há um velho ditado que diz: “Nada tem qualquer significado exceto o significado que lhe damos”. Achei isto muito útil ao longo dos anos, mas desejo re-declarar isto agora para se encaixar na metáfora do Palácio das Possibilidades. Re-declarando isto, ficaria mais ou menos assim: “Nada tem qualquer significado exceto aquele que está escrito em nossas paredes”.

Na verdade, nossa significado pessoal para tudo, de uma garrafa de coca-cola até a Bíblia, está escrito em nossas paredes. Isto significa inclusive, é claro, as várias nuances que refletem nossas experiências pessoais. Passe-me uma bola de beisebol, por exemplo, e eu a segurarei com carinho e recriarei dentro de mim as várias excelentes memórias que se formaram em meus primeiros anos. Dê uma bola de beisebol para qualquer outra pessoa, porém, e ela será simplesmente um objeto inanimado que outra pessoa usa para um jogo bobo. Eles podem até mesmo recebê-la com desdém se representar a rejeição de não ter sido escolhido para o time. Beisebol é beisebol. Mas o significado que damos a ele pode ser muito diferente. Tudo está escrito em nossas paredes.

 

Deveria estar claro agora que nós constantemente consultamos as escritas em nossas paredes a fim de extrair significado da barragem de dados sensoriais que recebemos ao longo de todo o dia. Ao mesmo tempo em que você lê essas palavras seu sistema está perguntando: “o que essas palavras significam?” e, é lógico, você tem um reflexo da escrita em suas paredes que serve como sua resposta. Seu sistema compara as palavras que você está lendo com seu banco de dados existente de experiências, crenças, etc. (escritas em suas paredes) e interpreta as palavras para você. Isto é sutil, é claro. Muito rotineiro. Nós raramente damos ao processo mais do que um pensamento passageiro. Mas, assim como respirar, fazemos isto o dia todo.

Mas o que fazemos quando topamos com alguma coisa para a qual não há escritas em nossas paredes? Como damos sentido a isto quando nossas paredes estão em branco a respeito do assunto? Simples. Fazemos o que os nativos fizeram com a garrafa de coca-cola. Nós inventamos um significado que se encaixe o mais próximo possível dentro da “verdade” que já está escrita em nossas paredes. O “significado” resultante provavelmente é fictício, é claro, mas isso não nos impede de fazê-lo. É uma necessidade humana dar significado ao mundo ao nosso redor e nós sempre (sim, eu disse sempre) faremos isso de modo que se encaixe dentro de nossas crenças existentes.

Observe as crianças a esse respeito. Elas freqüentemente se deparam com novas coisas (pelo menos novas para elas) e elas inventam significados para elas “preenchendo os espaços em branco” a partir das escritas limitadas de suas paredes. Assim um terremoto é um monstro que prende seus pés e Preparação H[1] é o que o vovô usa como creme dental.

Como adultos, nós não cruzamos com itens totalmente novos freqüentemente em nosso ambiente, mas experimentamos informações parciais com grande freqüência. Para dar um significado completo a essa informação parcial nós (assim como as crianças) preenchemos os espaços em branco das escritas em nossas paredes. Os Veteranos do Vietnã que ouvem a palavra “guerra” preenchem os espaços em branco com um significado muito diferente do que os jovens jogadores de videogame. A vítima de um pai abusivo preenche os espaços em branco a respeito do Dia dos Pais de forma muito diferente do que outros.

Isto é criticamente importante reconhecer porque é o centro da cura emocional. Os clientes de terapia estão constantemente preenchendo os espaços em branco para dar significado ao mundo que os cerca.

Ouvir os clientes à medida que eles preenchem os espaços em branco leva a grandes pistas a respeito das questões principais. A verdadeira cura sobre essas questões é evidenciada por como eles preenchem os espaços em branco antes e depois usando EFT. Isso é importante. Muito importante. Em alguns casos, ouvir a mudança em como os clientes preenchem os espaços em branco pode ser mais útil que a escala de 0-10, porque freqüente aponta para uma cura mais global. A escala de 0-10 é muito útil, é claro, mas nada é tão útil quanto a mudança cognitiva eu é comprovada por como o cliente preenche os espaços em branco. Esta mudança cognitiva é o verdadeiro ponto principal.

Finalmente, há uma liberdade envolvida em reconhecer completamente o que fazemos com as escritas em nossas paredes. Reconhecer que todos (inclusive nós mesmos) consultamos constantemente essas escritas para sua versão da “verdade”, conduz a mais entendimentos pacíficos e ao perdão de atitudes. Ajuda-nos a ficar longe de desentendimentos e despersonalizar as ações de outras pessoas. Depois de tudo, eles estão soltando o que outras pessoas tem escrito em suas paredes e que acham que de alguma forma é a “verdade”. Nos permite rir de nossas próprias comédias e reconhecer nossos “limites” pessoais como sendo ficções mentais que são um pouco mais do que crenças de segunda-mão de gerações anteriores de pais, professores, amigos, etc.

A paz que vem com esse entendimento serve para baixar a pressão sanguínea, melhorar relacionamentos e enriquecer a vida. Tudo isto de uma simples percepção mental. Nada mal, não é? Até o prêmio é certo.

Abraços,

Gary


[1] “Preparation H” é uma linha de produtos para o tratamento de hemorróidas.

Comentários estão fechados