Capítulo 29 – Lições do julgamento de O.J. Simpson

Tradução: Deise Viegas – abril/2009
Website: www.menteilimitada.com
Original: http://www.emofree.com/palace/palaceof11.htm

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Olá pessoal,

Eu era fascinado pelo julgamento de O. J. Simpson.

Mas meu fascínio não tinha nada a ver com a culpa de Simpson, sua inocência ou a ética de qualquer das personalidades envolvidas. Pelo contrário, eu estava interessado no uso da REPETIÇÃO e EMOÇÃO pela equipe da defesa para colocar suas escritas nas paredes do júri. Isto era particularmente verdade no argumento conclusivo de Johnnie Cochran. Concordando ou não com os motivos envolvidos, há algumas lições úteis no julgamento de O. J. Simpson.

Primeiro, um pequeno histórico. Você deve lembrar que na metade do julgamento, foi pedido ao Sr. Simpson para provar a luva ensangüentada que foi deixada na cena do crime. Aos olhos da maioria dos observadores, inclusive o júri, a luva não serviu. A acusação explicou isto de várias maneiras, inclusive afirmando que a umidade do sangue provocou o encolhimento da luva. Todas estas explicações foram válidas, mas o fato permanecia, para a maioria dos observadores, a luva não serviu.

Havia várias outras inconsistências nas evidências e, como se podia esperar, a equipe da defesa foi rápida em apontá-las. Além disso, eles usaram REPETIDAMENTE o termo “a pressa no julgamento” quando se referiam ao caso da acusação. Aposto que usaram este termo mais de 100 vezes durante o decorrer do julgamento. Se transformou em um slogan repetitivo que deixou sua marca nas paredes de todos que estavam ouvindo. A pressa no julgamento. A pressa no julgamento.

Assim, quando chegou a hora do argumento final, o advogado de defesa Johnnie Cochran lembrou ao júri que sua obrigação era absolver o Sr. Simpson se eles tivessem uma “dúvida razoável” a respeito da culpa dele. Porém, o Sr. Cochran escolheu reenquadrar “dúvida razoável” de uma maneira única e este reenquadramento lhe permitiu usar eficazmente os princípios de REPETIÇÃO e EMOÇÃO para escrever nas paredes dos jurados. Basicamente ele reduziu toda a noção de “dúvida razoável” para algo simples e poético como um mantra: “Quando vocês pesarem as evidências”, ele dizia, “Se não convencer, vocês devem absolver”.

Esta frase aparentemente simples foi REPETIDA ao longo do argumento final do Sr. Cochran. Cada vez que ele examinava uma evidência na qual havia alguma controvérsia ele dizia… “Se não convencer, vocês devem absolver”.

 

O mantra foi dito com cadência e ritmo para adicionar um componente EMOCIONAL. Quando o Sr. Cochran tratou das linhas de tempo conflitantes relativos ao assassinato ele disse… “Se não convencer, vocês devem absolver”.

Quando ele comparou a evidência do Detetive Mark Fuhrman com seu aparente preconceito racial ele disse… “Se não convencer, vocês devem absolver”.

E, é claro, quando ele chegou à parte sobre a luva que não serviu ele disse… “Se não convencer, vocês devem absolver”.

Perdi a conta de quantas vezes o Sr. Cochran repetiu esta frase, mas cada vez que ele o fazia, fazia-o com um certo tipo de ritmo hipnótico e uma entonação emocional. Ele estava escrevendo aquela frase nas paredes do júri com REPETIÇÃO e EMOÇÃO. Ele também estava escrevendo nas paredes de todo mundo, inclusive nas minhas. REPETIÇÃO e EMOÇÃO. Era simples, sem complicação, direto ao ponto. “Se não convencer, vocês devem absolver”.

Isto durou umas 2 ou 3 horas e, depois que o Sr. Cochran encerrou, deu a vez a seu colega, Barry Scheck. O Sr. Scheck era o advogado perito em DNA. Ele apresentou algumas das partes controversas da evidência de DNA para o júri, mas nem uma única vez ele disse: “Se não convencer, vocês devem absolver”. Esta era a frase do Sr. Cochran e não teria sido convincente se dita pelo Sr. Scheck.

Ao invés disto, o Sr. Scheck fazia uma coisa extremamente potente que adicionou a pontuação ao mantra do Sr. Cochran e elevou tudo a enormes LETRAS MAIÚSCULAS sobre as paredes dos jurados. Depois de uma cuidadosa apresentação da evidência técnica ele se inclinou sobre o púlpito e olhou os jurados diretamente e disse, devagar e deliberadamente, … “Vocês sabem… simplesmente não convence.”

Quando ele disse isto eu imediatamente ouvi os ecos de minhas paredes que foram colocadas lá pelo Sr. Cochran… “Se não convencer, vocês devem absolver”

Incrível. Isto tinha que ter sido implantado dentro da mente daqueles jurados. A equipe de defesa escreveu com muita habilidade nas paredes dos jurados usando a mais simples das técnicas. Nós podemos usar estas técnicas também. Nós podemos usá-las de maneiras éticas em nós mesmos ou a favor de outros. Nós podemos, por exemplo, usá-las para perdoar… (nota da tradutora: em inglês as pequenas frases a seguir são em forma de rimas).

“A maneira de viver, é perdoar”.

OU nós podemos usar para paz…

“Minha paz pessoal, se torna minha libertação”.

OU podemos usá-las para motivar clientes a fazer o tapping neles mesmos…

“To leave this trap, you must tap.” (“Para sair desta armadilha, você deve fazer as batidinhas”).

As possibilidades são infinitas. Slogans de propaganda, jingles, rimas, mantras e coisas do tipo são ferramentas muito poderosas para escrever em nossas paredes. Se acharmos que são bobagens, não entendemos a idéia. Estas coisas estão sendo feitas para nós diariamente – de maneira muito eficaz. Por que não pegar isto e fazer a mesma coisa por nós mesmos? É uma escolha, você sabe.

Algumas vezes esquecemos o fundamental.

Abraços, Gary

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