Capítulo 32 – Um golpe de negatividade em minha mente

Tradução: Deise Viegas – maio/2009
Site: www.menteilimitada.com
Original: http://www.emofree.com/palace/palaceof11.htm

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Oi pessoal,

Recebi a seguinte mensagem uns dias atrás de Maria Van Sertima a respeito dos disparos na Columbine High School. Sua mensagem é ótima e ilustra maravilhosamente vários dos princípios do Palácio mesmo quando ela enfatiza seu poder para criar o negativo. Nossos pensamentos consistentes se tornam nossa realidade e se os pensamentos são negativos… adivinhe o que acontece? Li sua bem escrita mensagem várias vezes e a cada vez eu senti um golpe de negatividade em minha mente.

Eu não gostei disso.

Por que? Não gostei das palavras. Elas tiveram um efeito negativo real sobre mim, à medida que as internalizava, não gostei dos sentimentos que tive. Brrrrr, pensei. Que exagero.

No entanto, sou rápido para reconhecer que não fui eu quem não gostou das palavras. Foi a escrita em minhas paredes que avaliou o que aquelas palavras significavam (nos meus termos, é claro, não nos dela). Eu li palavras como sofrimento, tragédia, massacre e assassinos e continuei tendo “ughs” em meu corpo. As palavras têm poder, grande poder. Elas podem, e fazem, mudanças em nossas emoções rapidamente.

A escrita em minhas paredes continuava dizendo: “Ela não precisa ser tão negativa. Ela deveria pegar mais leve. Ela está indo aos extremos e arruinando seu ponto de vista“.

Lembre-se, contudo, que a escolha dela de palavras negativas não estão em meu vocabulário habitual, então elas não combinam muito bem com a escrita residente em minhas paredes. Tenho sido um estudante das palavras e seus efeitos há vários anos e escolhi não viver sob as nuvens negras da intensividade de palavras negativas. Prefiro a chuva suave. Para mim, a morte é um começo ao invés de um trágico fim. Os assassinos são pessoas que precisam de ajuda. Os massacres são evidências de necessidades espirituais.

Assim, por favor, leia o que eu acabei de dizer e então leia a mensagem de Maria abaixo. As chances são que você julgue o “certo” ou o “errado” de nossos comentários.

Você concordará com um de nós ou ficará em algum lugar no meio. Você pode até ser inflexível em suas respostas. O que você está fazendo, é claro, é consultar a escrita em suas paredes sobre o que está sendo dito. A escrita em suas parede está, dessa forma, julgando as escritas nas paredes de Maria e as escritas sobre as minhas. De forma interessante, seus julgamentos parecerão corretos a você porque, depois de tudo, eles vem da sua versão da “verdade” (como escrito em suas paredes). A versão de Maria ou minha versão será julgada como apropriada somente na medida em que refletir a sua versão da “verdade”. Fora isso, você pode querer ignorá-la ou, talvez, se opor veementemente.

Você pode, também, notar o poder das palavras de Maria e quão bem ela ilustra os conceitos que têm sido desenvolvidos com o Palácio das Possibilidades. Ela escreveu uma mensagem muito poderosa e penetrante. Aqui está ela…

Abraços, Gary


 


Querido Gary e Lista,

A felicidade e excitação que senti durante a conferência [de Las Vegas] foram ofuscadas pelo que aconteceu na Escola Columbine, e provavelmente falo por muitos de nós aqui. As implicações daquela tragédia estão vagarosamente se tornando explícitas. Qual é nosso papel nessa tragédia de nossa nação? Digo nação porque é uma tragédia nacional e, infelizmente, uma indicação das coisas que estão por vir. Não nos enganemos sobre isto. Tão dedicados a ajudar como somos, devemos usar nossa sabedoria para tentar ver as coisas que acontecerão como resultado das práticas dos dias atuais. Neste papel de visionários devemos fazer o que pudermos para evitar sofrimento e tragédias tanto quanto estamos desejosos de curá-los.

Nos últimos 15 anos estive muito preocupada sobre o uso da imaginação de nossas crianças através de entretenimento violento. Em seu livreto [na conferência de Las Vegas] “Tools & Rules #6” (Ferramentas e Regras nº 6) você declara o axioma bem conhecido: “O cérebro não distingue o que é real e o que é vividamente imaginado. Experiências imaginárias são registradas como se fossem reais”. Se isto é verdade para adultos, mais verdadeiro ainda deve ser para crianças.

“Deus nos salve de nossas crianças”, é o clamor de vários pais nesta terra, enquanto falamos. Com nossa ênfase no “Palácio das Possibilidades” na “escrita sobre nossas paredes”, em se tratando de crianças, devemos fazer nosso melhor para impedir a impressão de escritas terríveis sobre aquelas paredes impressionáveis. Tenho considerado a possibilidade que mensagens destrutivas impressas nas paredes das crianças de hoje freqüentemente vem de entretenimento violento, especialmente videogames, não de pais abusivos. Esta é uma explicação possível para tantos assassinos jovens vindos de lares normais, médios ou “bons o bastante”.

Além de tratar crianças por traumas indiretos provocados por videogames e filmes, etc., devemos também prestar atenção a sua exposição continuada à fonte de sua traumatização e fazer o que pudermos para removê-los de suas vidas. A Associação Médica Americana chamou o entretenimento violento de “a causa número um dos problemas de saúde”. Olhando os vídeos dos assassinos de Columbine criados na internet (alterando um jogo chamado Doom para se adequar ao massacre projetado por eles na escola) deve ser um alerta para despertar todos os profissionais de saúde e terapeutas sobre o mau uso que tem sido feito da imaginação de nossas crianças. Não seremos os últimos a saber disto. Me lembro que nenhum dos “experts” (sociólogos, historiadores, filósofos, etc) predisseram a erupção da rebelião jovem nos anos 60.

A imaginação humana é nossa área de especialização, porque todas as mudanças maravilhosas acontecem neste nível. A projeção, a empolgação, e o planejamento de atos violentos também acontecem na imaginação humana. O vício em violência deveria ser tratado como todos os outros vícios e a primeira coisa com relação à juventude é prevenção. Continue mantendo-os longe das “substâncias” nocivas!

Nossa mente, e mais especificamente nossa imaginação, é um lugar tanto bom quanto mau dentro do “Palácio das Possibilidades” . Ensaiar massacres pode ser emocionante, e uma indicação das coisas que estão por vir, como imaginar um “home run[1] fictício”. Que assustador!

Lembranças,

Maria Van Sertima


P.S. DO GARY: Me pergunto o que poderia acontecer se de repente percebêssemos que TODOS respondem de acordo com as diversas escritas em suas paredes. Sei que você já reconhece este fenômeno, mas o que aconteceria se nós REALMENTE internalizássemos isto e olhássemos sob esta luz TODOS nossos clientes, pais, filhos, cônjuges, empregados e “inimigos” que “discordam da gente”. Poderia ser mais fácil chegar à paz a ao perdão? Depois de tudo, quem poderia ficar aborrecido sobre um desacordo quando se reconhece que ambos os lados estão meramente esmurrando a mesa como se todo assunto colocado em suas paredes por pais, orientadores, religiões, escolas, TV, livros, etc, fosse verdade?



[1] Home run: jogada de beisebol

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